quinta-feira, 15 de março de 2012

O valor do não





O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por nada? Será que é índole, talvez a mídia, a influencia da televisão, a situação social ou mental, permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a policia por mais de cem horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: Ela não quis falar comigo. A garota disse não, não quero mais falar com você, e o garoto dizendo que ama não aceitou um não, seu desejo era o mais importante. O não da menina Eloá foi o único, faltaram muitos outros não nessa historia toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que uma filha de doze anos não podia namorar m rapaz de dezenove. Faltou outra mãe dizer que iria sucumbir ao medo e iria lá tira o filho do tal apartamento a puxões de orelhas. Faltou outros pais dizerem que não iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde com sorte já havia escapado com vida. Faltou a policia dizer não ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta para lá. Faltou o governo dizer não ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso. Pelo jeito a única pessoa que disse não nessa historia foi punida com uma bala na cabeça.O mundo esta carente de nãos. Cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não as crianças, as mulheres temem dizer não aos maridos e alguns maridos temem dizer não as suas esposas. Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não as sogras, chefes que não conseguem dizer não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas, mas têm pequenos surtos, quando escutam um não, seja do guarda de transito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco, etc.
  Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal, é legal. Os pais dizem: Não posso traumatizar o meu filho. E não é raro alguns tomarem tapas de crianças com um ou dois anos. Outros gastam o que não tem em brinquedos e festas de aniversários faraônicos para suas crias, sem falar nos adolescentes, hoje em dia é difícil alguém ouvir alguém dizer: Não você não pode bater no seu amigo, não você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não você não vai fumar maconha, você não vai passar a madrugada na rua, não você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não você uma cervejinha enquanto não tiver dezoito anos. Não essas pessoas não são companhias para você, não hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinhos ou chocolates. Não aqui não é lugar para você ficar, não você não vai faltar à escola sem estar doente.
  Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir nãos justos e firmes crescem sem saber que o mundo não é só deles. No primeiro não que a vida lhes dê e vai lhes dá muitos, surtam, usam drogas, compram armas, batem em professores, furam pneu do carro do chefe, chutam mendigos e prostitutas nas ruas e dai por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem dialogo, pelo contrario acredito que as crianças e os adolescentes tratados com amor real e sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente atender uma ação do pai ou da mãe, um tapa um castigo. Um não intui que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer, mas é também responsabilidade.
 O Não protege, o não ensina, o não prepara. Por mais difícil que seja eu tento dizer não aos seres humanos quando acredito que é hora e tento respeitar os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento, acredito que é ai que estar à verdadeira prova amor e é também ai que esta a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda nos nossos dias.

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